Professora de História lança livro sobre a influência do Movimento Negro na Constituição

No dia 1º de outubro, a EAD UNITAU prestigia o lançamento do quarto livro da Profa. Dra. Mírian Garrido, docente de apoio do curso de História. Junto à apresentação da obra, a professora ministra uma palestra sobre a atuação do Movimento Negro na Constituição de 1988, às 19h30, no auditório da sede.

O livro

Nas constituições dos discursos sobre afro-brasileiros é fruto de um recorte da tese defendida pela docente. “Meu doutorado tinha um período maior, eu escolhi aquilo que achei mais interessante e publiquei nesse formato. O livro faz parte de uma trajetória maior das minhas pesquisas no mestrado e no doutorado”, conta.

Pesquisas anteriores

Apesar de ter concluído o doutorado recentemente, em 2017, sua linha de pesquisa começou na faculdade. “Eu escolhi, como tema de TCC, entender como a gente se descobre brasileiro, o que é ser brasileiro”, relembra. “Eu descobri que isso é um projeto político, do período Getúlio Vargas, que determina que a raiz do ser brasileiro é branca”.

Com o trabalho de conclusão entregue, a recém-formada historiadora estreitou sua tese de mestrado para o Movimento Negro e, no doutorado, para a atuação deles na elaboração da Constituição de 1988. “Percebi que eles tinham uma articulação política, o que me chamou a atenção e me despertou o interesse de entendê-la”. Assim, definiu seu objetivo. “Escolhi entender como o Movimento Negro contemporâneo, da década de 1970, se organiza, quais são suas demandas e como os membros atuam politicamente, eleitos ou não, para terem suas demandas aprovadas”.

Escrita

Mesmo sendo uma parte de uma pesquisa acadêmica, a professora optou por uma linguagem mais acessível no livro, garantindo que um público maior consiga entendê-lo. “Eu escrevo dessa forma porque acho que o conhecimento acadêmico não pode ficar restrito à estante da biblioteca da faculdade”, comenta. Por isso, a professora indica a obra a diversos leitores.

O evento

A palestra garante horas de atividades complementares para os alunos. É possível assisti-la presencialmente, na Rua Conselheiro Moreira de Barros, 203, ou pelo Zoom.

Resenha da escritora

“O livro pode ser lido de diversas formas. Para quem é estudante de história, é interessante observar o uso que faço de fontes históricas disponíveis na internet. Geralmente, o estudante acha que fonte é uma coisa que você encontra no museu, em um arquivo cheio de poeira, mas não, o conteúdo está disponível online.

Para quem gosta de pensar sobre a história negra, um aspecto positivo do livro é como o grupo consegue se articular, apesar das dificuldades. O Movimento Negro surge da iniciativa pessoal dos militantes, eles tiram dinheiro do próprio bolso para imprimir folhetos, para fazer jornal, para viajar de um estado a outro. Ao mesmo tempo, eu trabalho com biografias de alguns deles e mostro como o sofrimento da população afrodescendente é comum para quem mora no Pará, quem mora no Rio de Janeiro, quem mora na Bahia.

Até 1988, o Estado brasileiro não se reconhecia racista. Oficialmente, diplomatas, embaixadores e presidentes diziam que éramos um espaço da democracia racial, onde todas as diferenças eram aceitas e, no máximo, admitia-se um certo preconceito de classe. É pela articulação do Movimento Negro na década de 1980, em especial em 1988, que se conquista, pela primeira vez, que uma constituição criminalize o racismo. É a primeira vez que o Estado brasileiro admite que a sociedade brasileira é racista e que isso é ilegal.

A partir disso, eles começam a se articular para uma série de outras conquistas, das quais acho interessante observar a lei que torna obrigatório o estudo da África e do afro-brasileiro, para que comecemos a perceber que temos muito mais história além da escravidão. Nós descendemos de pessoas que tinham vida e protagonismo, foram sequestradas, escravizadas e levadas a um lugar desconhecido e, ainda assim, conseguiram se articular”.

 

Marina Lima