Independência do Brasil por um outro olhar

Obra “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, pintada em 1888

Diz a narrativa mais tradicional que, no dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I estava em viagem de retorno à capital quando recebeu uma carta de sua esposa, a princesa Maria Leopoldina. O documento aconselhava Pedro I a se adiantar aos movimentos de recuperação da colônia americana que ocorriam em Portugal.

A imagem que perpetuou esse momento é uma pintura do artista Pedro Américo, criada em 1888, mais de sessenta anos depois do evento. Os historiadores têm problematizado essa imagem célebre do ocorrido, alertando para as incongruências das vestimentas, do transporte e do próprio cenário; ou seja, a imagem é uma construção elogiosa e heroica, e não poderia ser diferente, tratava-se de uma obra encomendada.

Hoje sabemos, também, que o processo de independência já se desenhava com a elevação do Brasil à condição de Reino Unido (1815) e se aprofundava com o Dia do Fico (janeiro de 1822), quando Pedro I optou por permanecer no Brasil.

Independentes, pagamos indenização a Portugal com dinheiro emprestado da Inglaterra, herdamos o modelo social e político da antiga metrópole – incluindo aqui a manutenção da escravidão –, adotamos a monarquia – em contraste de toda a América que adotava o republicanismo –, e herdamos um líder político que era filho do Rei de Portugal, a antiga metrópole.

 

Profa. Dra. Mirian Garrido

Assessoria de Comunicação – EPTS/UNITAU