Aluno do curso de música desenvolve projeto que ensina música para jovens com deficiência auditiva

Foi observando seu irmão, deficiente auditivo, que Rafael Capponero, aluno do curso de música, decidiu lecionar música para crianças e jovens surdos. Rafael trabalha com música há sete anos, e já trabalhou com vítimas de paralisia, auxiliando-as com exercícios para memória e autoestima. “O projeto surgiu quando inseri meu irmão em uma bateria, na qual eu era mestre. Vi que ele tinha total capacidade de tocar qualquer instrumento, assim como todos”, conta-nos Rafael.

O projeto Ritmo Surdo, desenvolvido na cidade de Santos, com seis meses de atividade, conta com dez alunos na faixa etária de 13 a 22 anos, e tem como objetivo tornar a música possível para todos. “O objetivo do projeto é trabalhar a música além da audição, possibilitando o ensino da música para surdos, desenvolvendo metodologias alternativas. Temos com objetivo, também, a inserção social do surdo através da música; a melhora de sua linguagem, expressão e autoestima”, relata Capponero.

Sobre as dificuldades, Rafael explica que conseguir os instrumentos ainda é um problema. “A gente trabalha com o que tem. A maioria dos instrumentos vem de doação de outras instituições nas quais trabalhei, de amigos, e outros são meus.”

Segundo o idealizador do projeto, o programa visa mostrar que música está presente em todos, e em vários aspectos da vida. Os principais resultados obtidos foram na melhora na atenção e autoestima dos alunos. “Tudo isso refletiu nas aulas de português. A professora relatou uma sensível melhora do rendimento das aulas”, diz Rafael.

As aulas acontecem toda as quartas-feiras às 16h, na Congregação Santista de Surdos, e buscam desenvolver novas metodologias que desenvolvem os outros sentidos do corpo. “Estou no segundo mês de aula, mas pretendo desenvolver essas metodologias alternativas dentro do curso e entender melhor qual a percepção que o surdo possui,” relata Rafael.

Sobre o futuro do projeto, Capponero nos conta que espera ver seus alunos trilhando os seus próprios caminhos na música. “Daqui a uns anos imagino a criação de um bloco percussivo, pra tocarmos em diversas apresentações. Imagino também os alunos criando seu próprio caminho na música, aprendendo novos instrumentos e talvez ensinando música”, finaliza.

Carolina Tavares

Assessoria de Comunicação EPTS